No terceiro capítulo de Genesis é proferida a primeira profecia da Bíblia:
“E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”. Genesis 3:15
Com essa profecia Deus mostra que há um plano para a redenção da humanidade. Em Atos 3:21 vemos um resumo da história planejada por Deus: “O qual convém que o céu contenha até aos tempos da restauração de tudo, dos quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o princípio”. A palavra-chave é restauração.
A profecia de Genesis 3:15 é a primeira a falar do Messias, da esperança de restauração. Percebam que já na primeira profecia também é dito que haverá conflito entre a semente da serpente (em algumas traduções descendência) e a semente da mulher. Um conflito com Deus e seu povo de um lado e Satanás e seus seguidores do outro. Como veremos a seguir essa mesma história é profetizada em outras passagens, com cada passagem adicionando novas informações e detalhes, todas expandindo a história original.
Em Números 24 temos a história do rei Balaque e o profeta Balaão. Balaque era rei dos moabitas e Balaão era um profeta que foi pago pelo rei para profetizar contra o povo de Israel. O povo de Deus estava a caminho da Terra Prometida. Mas ao invés de profetizar contra, Balaão foi inspirado pelo Espírito de Deus a profetizar, conforme Números 24:14;17-20:
“Agora, pois, eis que me vou ao meu povo; vem, avisar-te-ei do que este povo fará ao teu povo nos últimos dias. Vê-lo-ei, mas não agora, contemplá-lo-ei, mas não de perto; uma estrela procederá de Jacó e um cetro subirá de Israel, que ferirá os termos dos moabitas, e destruirá todos os filhos de Sete. E Edom será uma possessão, e Seir, seus inimigos, também será uma possessão; pois Israel fará proezas. E dominará um de Jacó, e matará os que restam das cidades. E vendo os amalequitas, proferiu a sua parábola, e disse: Amaleque é a primeira das nações; porém o seu fim será a destruição”.
A profecia fala do que os judeus fariam com os moabitas nos últimos dias e que de Israel viria um governante. Muitos interpretes judeus entendiam que a passagem se referia ao Messias. Davi foi um rei que derrotou os inimigos de Israel em sua época, porém o cumprimento dessa profecia não foi completado nele. Jeremias, que nasceu e viveu muitos anos após o reinado de Davi, profere no capítulo 48 e 49 a mesma profecia que Balaão fez. Essa profecia juntamente com a de Miquéias 5 que fala do nascimento do Messias em Belém é que fez com que os reis magos seguissem a estrela na esperança de encontrar o Rei dos Judeus, conforme Mateus 2:1-2. Essa profecia de Números trata do que o Messias fará quando voltar.
Perceba que há povos e regiões citados nessa profecia: Moabe, Edom, Seir, os filhos de Sete, os amalequitas. Onde encontrava-se esse povo e suas terras? Onde se dará essa ação do Messias contra os inimigos de Israel? Todos esses termos referem-se aos povos comumente encontrados em regiões de deserto que viviam a leste de Israel, conforme a área assinalada:

Apocalipse 21:4 diz “E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas”, essa passagem faz referência à Isaias 25. Mas em Isaías 25 há muito mais ocorrendo do que apenas o enxugar de toda a lágrima. Isaías 25:8-11 fala de acabar com a morte, fala também de destruir Moabe. O contexto dessa passagem é o futuro, o retorno do Messias. Já em Isaias 65:20 vemos o que acontecerá com os que entrarem no reino milenar do Messias, enquanto que em Apocalipse 20:4-6 vemos os que foram ressurretos com novos corpos incorruptíveis para reinarem com Cristo durante mil anos.
Novamente temos uma profecia que trata do Messias esmagando sob seus pés Moabe, uma região específica a leste de Israel. Mas o povo moabita não existe mais, a profecia pode se referir a outro inimigo, não conhecido daquela época? Veremos mais para a frente, conforme avançamos nas profecias, certas características únicas de uma confederação de nações contra Israel e de seu líder, que a Bíblia chama de Anticristo e então poderemos responder essa pergunta tendo em conta o panorama geral das profecias.
Obadias profetiza o julgamento de Edom, ela fala do “Monte de Sião” e do “Monte de Edom”. A Bíblia muitas vezes usa a figura de montes como símbolo para governos, isso faz parte da herança cultural da região. Essa profecia teve cumprimento em parte na época dos conflitos entre Israel e Edom. Em Obadias 1:15 é dito que tudo isso se cumprirá em um tempo no qual “o dia do Senhor está perto, sobre todos os gentios”. Esse evento está agendado para ocorrer na mesma época em que Isaías, Jeremias, Ezequiel, Amós e outros indicam que as nações serão julgadas no fim da tribulação, durante a batalha do Armagedom.
O contexto do “dia do Senhor” é visto em Obadias 1:21 onde lemos “quando o subirão salvadores ao monte Sião, para julgarem o monte de Esaú; e o reino será do Senhor”. Ao lermos com atenção esse capítulo vemos que a profecia cita aqueles que foram levados como prisioneiros agora sendo libertados e tomando posse da terra de Edom. Desde os tempos de Obadias até os dias de hoje, Israel nunca tomou posse da terra de Edom, portanto o cumprimento dessa profecia ainda irá acontecer. A profecia fala do reino que será do Senhor, em clara referência ao reino do Messias após a sua volta.
Conforme vamos prosseguindo com o estudo das profecias, vemos que elas são centradas em Israel. Em Obadias 1:8-10;15 lemos “Porventura não acontecerá naquele dia, diz o Senhor, que farei perecer os sábios de Edom, e o entendimento do monte de Esaú? E os teus poderosos, ó Temã, estarão atemorizados, para que do monte de Esaú seja cada um exterminado pela matança. Por causa da violência feita a teu irmão Jacó, cobrir-te-á a confusão, e serás exterminado para sempre. Porque o dia do Senhor está perto, sobre todos os gentios; como tu fizeste, assim se fará contigo; a tua recompensa voltará sobre a tua cabeça”. O julgamento de Deus ocorre por causa do tratamento do povo de Edom, os descendentes de Esaú, ao seu irmão Jacó, os descendentes dele, nesse caso, os judeus. Obadias usa três nomes para se referir ao mesmo povo: Edom, Esaú, Temã. Isso é típico do modo de pensar e de escrever poesia profética no hebraico: usa-se figura de linguagem, sinônimos ou variações do mesmo nome para enfatizar uma ideia.
Em Ezequiel 25 novamente temos uma profecia contra Edom: “Assim diz o Senhor Deus: Porquanto Edom se houve vingativamente para com a casa de Judá, e se fez culpadíssimo, quando se vingou deles; portanto assim diz o Senhor Deus: Também estenderei a minha mão sobre Edom, e arrancarei dela homens e animais; e a tornarei em deserto, e desde Temã até Dedã cairão à espada. E exercerei a minha vingança sobre Edom, pela mão do meu povo de Israel; e farão em Edom segundo a minha ira e segundo o meu furor; e conhecerão a minha vingança, diz o Senhor Deus. Assim diz o Senhor Deus: Porquanto os filisteus se houveram vingativamente, e executaram vingança com desprezo de coração, para destruírem com perpétua inimizade, portanto assim diz o Senhor Deus: Eis que eu estendo a minha mão sobre os filisteus, e arrancarei os quereteus, e destruirei o restante da costa do mar. E executarei sobre eles grandes vinganças, com furiosos castigos, e saberão que eu sou o Senhor, quando eu tiver exercido a minha vingança sobre eles”.
A causa desse julgamento novamente é a forma como Edom trata “a casa de Judá”. Além de Edom temos também a região de Dedã (norte da atual Arábia Saudita), Temã (onde atualmente é a Jordânia), filisteus e quereteus (povos que ficavam onde atualmente é a faixa de Gaza). Então, de acordo com o texto o julgamento de Deus se dará contra a região que se estende do que atualmente é o a Faixa de Gaza, do atual Sul da Jordânia até o atual centro-norte da Arábia Saudita, conforme a região assinalada:

Em Ezequiel 30:1-5 temos novamente o dia do Senhor: “E VEIO a mim a palavra do Senhor, dizendo: Filho do homem, profetiza, e dize: Assim diz o Senhor Deus: Gemei: Ah! Aquele dia! Porque está perto o dia, sim, está perto o dia do Senhor; dia nublado; será o tempo dos gentios. A espada virá ao Egito, e haverá grande dor na Etiópia, quando caírem os traspassados no Egito; e tomarão a sua multidão, e serão destruídos os seus fundamentos. Etiópia, Pute e Lude, e toda a mistura de gente, e Cube, e os homens da terra da liga, juntamente com eles cairão à espada”.
Os eventos dessa profecia tiveram cumprimento parcial ao longo da história, mas o contexto da profecia ainda é o dia do Senhor, quando o Messias vem para executar o julgamento contra os inimigos de seu povo, Israel. A região citada inclui: Egito, Sudão (muitas traduções trazem Etiópia, no hebraico original era chamada de Cuxe), Pute (atualmente região da Líbia), Lude (região que se encontra dentro da atual Turquia) e Cube (região da Arábia).
Aqui convém uma breve explicação sobre Cuxe. Embora muitas traduções tragam simplesmente Etiópia, isso não é exato. Para ser mais exato, Cuxe nos dias de Ezequiel era localizada mais ao norte do que a moderna Etiópia e fazia fronteira com o Egito, conforme Ezequiel 29:9-10. E conforme Isaias 18:1 Cuxe compartilhava dos mesmos rios afluentes do Nilo. Se pegarmos um mapa veremos que o rio Nilo entra diretamente no sul do Egito através da fronteira com o Sudão e não da Etiópia moderna, localizada mais ao Sul.
Essas regiões atualmente compartilham do mesmo sistema político-religioso, são nações muçulmanas governadas pela sharia (lei islâmica).
Sofonias no capítulo 2 tem uma profecia cujo cumprimento está agendado para o “dia da ira do Senhor”. São citados Gaza, Ascalom, Asdode, Ecrom, os quereteus, Canaã, terra dos filisteus. No fim todas essas regiões serão destruídas. Todas essas regiões fazem parte da parte sul e costeira de Israel, incluindo a faixa de Gaza, conforme Sofonias 2:3-5;12-13:
“CONGREGAI-VOS, sim, congregai-vos, ó nação não desejável; antes que o decreto produza o seu efeito, e o dia passe como a pragana; antes que venha sobre vós o furor da ira do Senhor, antes que venha sobre vós o dia da ira do Senhor. Buscai ao Senhor, vós todos os mansos da terra, que tendes posto por obra o seu juízo; buscai a justiça, buscai a mansidão; pode ser que sejais escondidos no dia da ira do Senhor. Porque Gaza será desamparada, e Ascalom assolada; Asdode ao meio dia será expelida, e Ecrom será desarraigada. Ai dos habitantes da costa do mar, a nação dos quereteus! A palavra do Senhor será contra vós, ó Canaã, terra dos filisteus; e eu vos destruirei, até que não haja morador. Também vós, ó etíopes, sereis mortos com a minha espada. Estenderá também a sua mão contra o norte, e destruirá a Assíria; e fará de Nínive uma desolação, terra seca como o deserto”.
Novamente temos regiões que são vizinhas de Israel e que serão julgadas por Deus. Várias passagens proféticas falam de uma confederação de nações inimigas de Israel que irá invadir o país e cercar Jerusalém. A profecia além de falar da faixa de Gaza e dos palestinos, em Sofonias 2:8-9 e 12-13 fala também de Moabe (a famosa cidade de Petra fica dentro dessa região), Amon (região da Jordânia), Etiópia (no hebraico Cuxe, região da moderna República do Sudão do Norte), bem como a Assíria (que na época englobava áreas que hoje pertencem à Síria, Turquia, Líbano e Iraque) e Nínive (região da cidade de Mossul, no norte do Iraque), conforme podemos ver no mapa abaixo:

E novamente, no contexto do Dia do Senhor e retorno de Cristo, temos nações e regiões especificadas para o julgamento que atualmente são todas de maioria muçulmana.
Joel 3 fala do julgamento do Senhor sobre o Líbano e Gaza por dividirem a terra de Israel. Cabe aqui uma observação: em 2007 vários líderes cristãos evangélicos mandaram um documento ao presidente George Bush na época. Esse documento era um pedido para que a terra de Israel fosse dividida e dois Estados compartilhassem a região: Palestina e Israel. Agora vejamos a profecia de Joel 3:1-4: “PORQUE, eis que naqueles dias, e naquele tempo, em que removerei o cativeiro de Judá e de Jerusalém, congregarei todas as nações, e as farei descer ao vale de Jeosafá; e ali com elas entrarei em juízo, por causa do meu povo, e da minha herança, Israel, a quem elas espalharam entre as nações e repartiram a minha terra. E lançaram sortes sobre o meu povo, e deram um menino por uma meretriz, e venderam uma menina por vinho, para beberem. E também que tendes vós comigo, Tiro e Sidom, e todas as regiões da Filístia? É tal o pago que vós me dais? Pois se me pagais assim, bem depressa vos farei tornar a vossa paga sobre a vossa cabeça”.
Vejam que coisa séria, o julgamento do Senhor ocorre por causa do que fizeram ao povo judeu (levados cativos) e à Israel (por dividirem a terra). Tiro, Sidom e Filístia são referências à Palestina e ao Líbano. O grupo terrorista Hezbolah tem sua base de operações no Líbano, enquanto que o grupo terrorista Hamas atua na Faixa de Gaza (Palestina), ambos querem que Israel seja riscada do mapa e ambos têm influência política na região onde atuam. Basicamente Deus está dizendo que não quer a terra de Israel dividida e nós lemos a notícia de que líderes cristãos querem que essa terra seja dividida para cessar as ameaças terroristas! O que devemos temer mais: a ira dos homens ou a ira do Deus vivo?
Agora vejamos o restante da profecia em Joel 3:14-21: “Multidões, multidões no vale da decisão; porque o dia do Senhor está perto, no vale da decisão. O sol e a lua enegrecerão, e as estrelas retirarão o seu resplendor. E o Senhor bramará de Sião, e de Jerusalém fará ouvir a sua voz; e os céus e a terra tremerão, mas o Senhor será o refúgio do seu povo, e a fortaleza dos filhos de Israel. E vós sabereis que eu sou o Senhor vosso Deus, que habito em Sião, o meu santo monte; e Jerusalém será santa; estranhos não passarão mais por ela. E há de ser que, naquele dia, os montes destilarão mosto, e os outeiros manarão leite, e todos os rios de Judá estarão cheios de águas; e sairá uma fonte, da casa do Senhor, e regará o vale de Sitim. O Egito se fará uma desolação, e Edom se fará um deserto assolado, por causa da violência que fizeram aos filhos de Judá, em cuja terra derramaram sangue inocente. Mas Judá será habitada para sempre, e Jerusalém de geração em geração. E purificarei o sangue dos que eu não tinha purificado; porque o Senhor habitará em Sião”.
Percebam algumas características do Dia do Senhor que se repetem em várias outras passagens bíblicas: exércitos reunidos em Israel; não muito tempo após isso, o sol, a lua e as estrelas se apagam; um grande barulho com a chegada do Messias; livramento para Israel e destruição para seus inimigos. Outras passagens falam dos céus se enrolando da mesma forma como um pergaminho.
Em Isaías 34 vemos o Senhor executando um sacrifício na terra de Edom, o texto é escrito em formato de poesia profética. Nesse caso a ira de Deus é contra um povo específico e por razões específicas, conforme Isaías 34:1-9:
“CHEGAI-VOS, nações, para ouvir, e vós povos, escutai; ouça a terra, e a sua plenitude, o mundo, e tudo quanto produz. Porque a indignação do Senhor está sobre todas as nações, e o seu furor sobre todo o exército delas; ele as destruiu totalmente, entregou-as à matança. E os seus mortos serão arremessados e dos seus cadáveres subirá o seu mau cheiro; e os montes se derreterão com o seu sangue. E todo o exército dos céus se dissolverá, e os céus se enrolarão como um livro; e todo o seu exército cairá, como cai a folha da vide e como cai o figo da figueira. Porque a minha espada se embriagou nos céus; eis que sobre Edom descerá, e sobre o povo do meu anátema para exercer juízo. A espada do Senhor está cheia de sangue, está engordurada da gordura do sangue de cordeiros e de bodes, da gordura dos rins de carneiros; porque o Senhor tem sacrifício em Bozra, e grande matança na terra de Edom. E os bois selvagens cairão com eles, e os bezerros com os touros; e a sua terra embriagar-se-á de sangue até se fartar, e o seu pó se engrossará com a gordura. Porque será o dia da vingança do Senhor, ano de retribuições pela contenda de Sião. E os seus ribeiros se tornarão em piche, e o seu pó em enxofre, e a sua terra em piche ardente”.
Novamente o retorno do Messias traz julgamento para os inimigos de Israel, e nesse caso em específico, um julgamento para Edom, em retribuição à contenda de Sião. As nações que cercam Israel hoje alegam que essa nação não tem o direito de existir, que é ilegal. O mundo como um todo, mas especificamente e de forma mais violenta, as nações em vizinhas de Israel fazem declarações antissemitas, antissionistas.
Apocalipse 19 traz uma descrição dramática sobre o retorno do Messias, nela Jesus surge nos céus montado em um cavalo branco com “exércitos dos céus” o seguindo. Conforme vemos em Apocalipse 19:11-16: “E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja com justiça. E os seus olhos eram como chama de fogo; e sobre a sua cabeça havia muitos diademas; e tinha um nome escrito, que ninguém sabia senão ele mesmo. E estava vestido de uma veste salpicada de sangue; e o nome pelo qual se chama é a Palavra de Deus. E seguiam-no os exércitos no céu em cavalos brancos, e vestidos de linho fino, branco e puro. E da sua boca saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro; e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso. E no manto e na sua coxa tem escrito este nome: Rei dos reis, e Senhor dos senhores”.
Uma pergunta básica: de quem era o sangue que salpica as vestes do Messias na visão profética citada de Apocalipse 19? Muitos interpretam ser o sangue de Cristo vertido na cruz, mas porque o seu próprio sangue salpicaria as suas vestes? Outros interpretam que essa sangue é o sangue dos mártires que morreram durante a Tribulação e até mesmo ao longo da história da Igreja. Mas há uma outra interpretação com base em Isaías, que é de onde Apocalipse emprestou a expressão. Vejamos Isaías 63:1-4:
“QUEM é este, que vem de Edom, de Bozra, com vestes tintas; este que é glorioso em sua vestidura, que marcha com a sua grande força? Eu, que falo em justiça, poderoso para salvar. Por que está vermelha a tua vestidura, e as tuas roupas como as daquele que pisa no lagar? Eu sozinho pisei no lagar, e dos povos ninguém houve comigo; e os pisei na minha ira, e os esmaguei no meu furor; e o seu sangue salpicou as minhas vestes, e manchei toda a minha vestidura. Porque o dia da vingança estava no meu coração; e o ano dos meus remidos é chegado”.
Nessa profecia Isaias olha para o leste de Jerusalém e vê a figura majestosa do Messias, vindo de Edom e Bozra. Bozra era a capital de Edom, hoje a cidade é conhecida pelo nome de Petra.
Em Apocalipse 19:15 vemos que Jesus “ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso”, quando os inimigos de Deus são mostrados sendo esmagados como uvas. Como podemos perceber há uma ligação direta entre as duas profecias. O contexto é de que o Messias está com as roupas manchadas de sangue dos inimigos que ele esmagou. Notem que a passagem ocorre no Dia do Senhor, citando o dia em que o Messias retorna para trazer livramento aos que restarem de Israel e para vingar, julgando seus inimigos.
Diante de tantas passagens que fazem referência à nações e regiões que atualmente são predominantemente muçulmanas e têm um histórico de conflitos com Israel, é interessante notar que na Bíblia não encontramos passagens que citam por nome nações europeias, por exemplo. Mesmo na época da visão de João na ilha de Patmos, quando Roma era um império conhecido, nem mesmo o termo “Roma” aparece em contexto de julgamento. Em apocalipse temos citação à Babilônia, mas nunca à Roma. O profeta não sabia que Roma era capital do Império Romano? E outras nações e regiões, não eram conhecidas? Porque não são citadas por nome? Porque a visão retoma vários termos de profecias do Velho Testamento e faz referência a elas? Não seria lógico concluir que a Bíblia está enfatizando e detalhando o que já foi falado antes pelos profetas?
É interessante notar que através das Escrituras, de forma repetida e abundante, quando nações específicas são citadas por nome para o julgamento de Deus pelo que fizeram à Israel, todas fazem parte de regiões hoje dominadas pelo Islã.
Como devemos interpretar tudo isso? Devemos ignorar todas essas passagens que fazem referência às nações ao redor de Israel e que prontamente poderiam mobilizar suas tropas e veículos para invadir a nação, como já o fizeram outras vezes? Ou devemos assumir que são todas referências alegóricas, tomando os nomes de Edom, Moabe, Cuxe (Etiópia em muitas traduções), Arábia, Assíria, Líbia ou Pérsia como que uma sugestão de que todas as nações da terra (até mesmo as que não têm forças armadas, como por exemplo o Vaticano, a Costa Rica, Andorra, Ilhas Salomão, Liechtenstein e outras) irão enfrentar Israel? Ou ainda como uma referência vaga aos inimigos de Israel em geral? Conforme vamos avançando veremos mais referências às nações que cercam Israel, mas isso não é tudo, há também profecias que falam de certas características muito específicas sobre o Anticristo e seu império. Devemos manter nossa atenção e foco no que a Bíblia nos diz acerca disso.
Eliseu P L Junior
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