Os impérios profetizados

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Conforme lemos em Daniel no capítulo 2, durante a época do exílio dos judeus na Babilônia, o rei Nabucodonosor teve um sonho muito perturbador e chamou seus magos e, astrólogos e encantadores para que contassem qual foi o seu sonho qual era a interpretação. Esse sonho é um dos mais interessantes na Bíblia, pois fala de uma sequência de impérios que sucederiam ao império babilônico, fala do último e terrível império, de seu terrível fim e do começo do reino milenar de Cristo. Quando os sábios do rei dizem que não podem contar o sonho e nem o interpretar, o rei fica furioso e ordena que matem todos os sábios do reino. Quando a notícia do decreto chegou a Daniel, ele pediu ao rei que desse um tempo para que ele trouxesse a interpretação. Então Daniel orou junto com seus companheiros pedindo que Deus desse o sonho e a interpretação.

E Deus fez com que Daniel conhecesse o sonho que Nabucodonosor teve, conforme Daniel 2:31-35: “Tu, ó rei, estavas vendo, e eis aqui uma grande estátua; esta estátua, que era imensa, cujo esplendor era excelente, e estava em pé diante de ti; e a sua aparência era terrível. A cabeça daquela estátua era de ouro fino; o seu peito e os seus braços de prata; o seu ventre e as suas coxas de cobre; as pernas de ferro; os seus pés em parte de ferro e em parte de barro. Estavas vendo isto, quando uma pedra foi cortada, sem auxílio de mão, a qual feriu a estátua nos pés de ferro e de barro, e os esmiuçou. Então foi juntamente esmiuçado o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro, os quais se fizeram como pragana das eiras do estio, e o vento os levou, e não se achou lugar algum para eles; mas a pedra, que feriu a estátua, se tornou grande monte, e encheu toda a terra”.

Em Daniel 2:36-45 é revelado o significado desse sonho que deixou o rei perturbado. A primeira parte da estátua, a cabeça, representava a Babilônia. As outras partes representam os 3 impérios que sucederiam ao Babilônico, cada um tendo a posse do território Babilônico. Dois impérios que sucedem ao Babilônico são citados por nome, são o Medo-persa e o Grego, conforme lemos em Daniel 8:20-21 e 10:20. O quarto império não é chamado pelo nome.

Daniel 2:40-43 diz que:  “o quarto reino será forte como ferro; pois, como o ferro, esmiúça e quebra tudo; como o ferro que quebra todas as coisas, assim ele esmiuçará e fará em pedaços. E, quanto ao que viste dos pés e dos dedos, em parte de barro de oleiro, e em parte de ferro, isso será um reino dividido; contudo haverá nele alguma coisa da firmeza do ferro, pois viste o ferro misturado com barro de lodo. E como os dedos dos pés eram em parte de ferro e em parte de barro, assim por uma parte o reino será forte, e por outra será frágil. Quanto ao que viste do ferro misturado com barro de lodo, misturar-se-ão com semente humana, mas não se ligarão um ao outro, assim como o ferro não se mistura com o barro”.

Depois no capítulo 7 de Daniel, Deus deu ao profeta um sonho em que os impérios são mostrados como animais. No primeiro sonho Nabucodonosor vê os impérios da perspectiva de seu reino, do ponto de vista humano. Nesse sonho Daniel vê os impérios da perspectiva de Deus, do ponto de vista divino.

Veja Daniel 7:2-27:

“No primeiro ano de Belsazar, rei de Babilônia, teve Daniel um sonho e visões da sua cabeça quando estava na sua cama; escreveu logo o sonho, e relatou a suma das coisas. Falou Daniel, e disse: Eu estava olhando na minha visão da noite, e eis que os quatro ventos do céu agitavam o mar grande. E quatro animais grandes, diferentes uns dos outros, subiam do mar.  O primeiro era como leão, e tinha asas de águia; enquanto eu olhava, foram-lhe arrancadas as asas, e foi levantado da terra, e posto em pé como um homem, e foi-lhe dado um coração de homem. Continuei olhando, e eis aqui o segundo animal, semelhante a um urso, o qual se levantou de um lado, tendo na boca três costelas entre os seus dentes; e foi-lhe dito assim: Levanta-te, devora muita carne. Depois disto, eu continuei olhando, e eis aqui outro, semelhante a um leopardo, e tinha quatro asas de ave nas suas costas; tinha também este animal quatro cabeças, e foi-lhe dado domínio. Depois disto eu continuei olhando nas visões da noite, e eis aqui o quarto animal, terrível e espantoso, e muito forte, o qual tinha dentes grandes de ferro; ele devorava e fazia em pedaços, e pisava aos pés o que sobejava; era diferente de todos os animais que apareceram antes dele, e tinha dez chifres”.

Em Daniel 7:19 vemos novamente uma característica diferente desse império: “Então tive desejo de conhecer a verdade a respeito do quarto animal, que era diferente de todos os outros, muito terrível, cujos dentes eram de ferro e as suas unhas de bronze; que devorava, fazia em pedaços e pisava aos pés o que sobrava”.

Em Daniel 7:23 vemos novamente essa descrição singular sobre o quarto império: “Disse assim: O quarto animal será o quarto reino na terra, o qual será diferente de todos os reinos; e devorará toda a terra, e a pisará aos pés, e a fará em pedaços”. Os 3 impérios nunca existiram todos ao mesmo tempo, porém o quarto império “fará em pedaços” todos os outros.

Conquista Geográfica

A primeira interpretação possível é de conquista territorial. Ao vermos os mapas fica claro que os 3 primeiros impérios tiveram o domínio territorial sobre a Mesopotâmia:

Império Babilônico:

Império Medo-Persa:

Império Grego:

Podemos perceber que nos casos citados a região dos rios Tigre e Eufrates, onde ficava a capital da Babilônia, esteve sob o controle dos impérios Babilônico, Medo-Persa e Grego. Se um império conquista várias regiões, mas não mantém o controle territorial sobre a Mesopotâmia, podemos dizer que conquistou a Babilônia? Ou, dito de outro modo, se alguém algum dia invadir o Brasil e conquistar Rio Branco, que é capital do Acre, e permanecer a milhares de quilômetros de distância de sua capital, Brasília, poderemos dizer que o Brasil foi conquistado? Da mesma forma, para dizer que dominou e conquistou a Babilônia, ou mais especificamente, que a sucedeu, um império deve dominar a região da Mesopotâmia. Então o quarto império deve preencher esse requisito.

Além desse requisito há outro tão importante quanto. Podemos observar que conforme cada império sucede o outro, além de manter o controle sob a região da Mesopotâmia, também domina a capital do império anterior.

Apesar de vir depois do Império Grego, o Império Romano não preenche esse requisito. Ele apenas conquistou e controlou 1/3 das regiões controladas pelos impérios Babilônico, Medo-Persa e Grego. Mais ou menos 2/3 dessas regiões controladas por esses impérios foram deixadas de lado por Roma. Se observamos o mapa, notamos que nem chegou perto da capital do império Medo-Persa.

Alguém poderia dizer que por suceder o império Grego, que por sua vez sucedeu o império Medo-Persa, que por sua vez sucedeu o império Babilônico, então Roma se encaixa. Mas esse raciocínio não se sustenta em sua lógica. Se por exemplo no caso de um campeonato de futebol o São Paulo venceu o Corinthians, que por sua vez venceu o Palmeiras, isso quer dizer que o São Paulo venceu o Palmeiras? Claro que não, só um jogo direto entre esses dois times poderia determinar isso. Daniel 2 diz que esse império pisará, esmiuçará, esmagará, destruirá, enfim aniquilará tudo que veio antes. Convém lembrar que embora o império Romano fosse uma máquina militar espetacular de conquista e controle, ele não esmagou todos esses territórios, conforme vemos no mapa abaixo.

Império Romano:

Mas se o Império Romano não preenche esse requisito de conquista territorial, que império preenche? Qual império veio depois de Roma?

Por volta do ano 632 d.C. um império diferente surgiu na região. Logo após a morte de Maomé o Califado Rashidun dominou a região, culminando no Império Otomano, que oficialmente teve seu fim decretado após o final da primeira guerra mundial em 1923. Após a Primeira Guerra Mundial o Império Otomano deixa de existir: Em 1924 o cargo de califa é abolido e o califado deixa de existir.

Em 1928 é fundada a Irmandade Muçulmana, para implementar a Sharia (lei islâmica), unificar os países muçulmanos e restaurar o califado. A Irmandade Muçulmana foi a organização que, com a conivência do Ocidente, esteve por trás das quedas de regimes ditatoriais laicos no Oriente Médio e Norte da África. No lugar de governos ditatoriais laicos, a maioria dos países que passaram pela Primavera Árabe viram surgir governos islâmicos. Atualmente, outro grupo que tem realizado ações para trazer de volta o califado é o Estado Islâmico.

Para preencher o critério de Daniel 2:40, um império teria de esmagar, não um, nem dois, mas os três impérios que vieram antes dele. Historicamente o Califado Islâmico conquistou de forma completa todas as terras desses outros impérios. Em 1453 o Califado Islâmico conquistou Constantinopla (atual Istambul, na Turquia) pondo fim ao que restava do Império Romano. Vejam o mapa do Império Muçulmano em dois momentos de sua história:

Islã (Califado Islâmico de 622 d.C. a 770 d.C.):

Mapa do Islã no século XIX

Conquista Cultural e Religiosa

A segunda interpretação possível é de cultural e religiosa. E se expandirmos o sentido de esmagar para mais do que geograficamente? O que acontece se compararmos os outros impérios ao império islâmico? Ele é diferente dos demais? A ênfase dada no livro de Daniel, que usa tantos termos diferentes para dar a ideia de uma completa dominação parece apontar para uma característica singular desse império, uma que não encontramos em nenhum dos impérios anteriores, até mesmo na intensidade com que essa dominação acontece.

No caso de Roma, essa diferença fica ainda mais gritante, quando o Império Romano conquistava um povo, ao invés de destruir sua cultura, impor uma nova religião e uma nova língua, geralmente ele tolerava essas coisas e ainda adicionava leis, estradas, aquedutos, infraestrutura. O Império Romano, com todos os seus pecados e falhas foi uma força civilizatória até certo ponto benéfica para os povos que conquistou. Já o quarto império exerce um domínio opressor sobre os povos conquistados. Durante a época de Jesus, os romanos eram tolerantes com a prática da religião do povo judeu. Houve Calígula, que foi um imperador que perseguiu judeus e cristãos, mas no geral os romanos toleravam a prática de outras religiões por outros povos. Suas leis protegiam as práticas religiosas dos povos conquistados. O império importava-se muito mais com o pagamento de impostos, com o respeito e obediência às suas leis do que com as práticas religiosas adotadas por outros povos.

Já para o império Islâmico tais afirmações não podem serem feitas. Desde seu início esse império esmagou e apagou as culturas e religiões dos povos que conquistou. Isto se deve à singular ideologia abrangente do Islã, que inclui cada aspecto da vida. O Islã tem regras e mandamentos que vão além do escopo teológico. Também dita as leis, governo, língua, exército, e até mesmo práticas sexuais e de higiene debaixo de sua autoridade. O próprio termo Islã, quer dizer “submissão” às leis de Alá, o deus dos muçulmanos, bem como às práticas de Maomé, seu profeta.

Pensem em uma ideologia totalitária aplicada ao dia-a-dia, ao governo e à religião, o Islã é essa ideologia. Em todo lugar que o Islã chega, traz com sigo sua ideologia opressiva de submissão, nas regiões que conquistou do Império Babilônico, Medo-Persa e Grego, forçou uma só língua (árabe), uma só lei (sharia), um só governo (califado), um só líder (califa) e uma só religião (Islã). Os persas e turcos conseguiram manter sua língua falada, porém a língua escrita sofreu alterações, seu alfabeto se tornou árabe. Mustafa Kemal Atatürk, o primeiro presidente da República da Turquia após o fim do Califado, impôs a ocidentalização do alfabeto turco, que deixou de ser árabe. Atualmente o partido que governa o país tem implementado mudanças para trazer de volta à Turquia os valores islâmicos tradicionais, distanciando-se cada vez mais da ocidentalização e tornando o país cada vez menos laico.

O principal objetivo do Islã conforme o Alcorão é que o mundo inteiro seja muçulmano, conforme vemos na Surata 9, verso 33: “É ele {Alá} quem enviou seu mensageiro (Maomé) com a orientação e a religião da verdade (Islã), para torná-lo superior sobre todas as religiões mesmo que o Mushrikun (politeístas, pagãos, idólatras, descrentes na unicidade de Alá) odeiem isso”.

Um dos mais eminentes estudiosos islâmicos do século 20, Sheikh Maolana Maududi, disse: “O Islã quer destruir todos os estados e governos, em qualquer lugar da face da terra, que se oponham à ideologia e ao programa do Islã, independentemente do país ou da nação que o governe. O propósito do Islã é a criação de um estado com base na sua própria ideologia e programa … o objetivo da jihad islâmica é eliminar o governo de um sistema anti-islâmico e estabelecer um sistema islâmico. O Islã não pretende limitar esta revolução para um único Estado ou alguns países. O objetivo do Islã é o de promover uma revolução universal.” Isso lembra muito uma tentativa de criar um único governo mundial.

Conforme vimos em Daniel 7:7 e 7:19 esse quarto império destrói, devora e esmaga todos os anteriores, ele conquista todos os 3 que vieram antes dele. Mas uma característica única salta aos olhos, ele destrói, esmaga, pisa em cima até mesmo aquilo que sobrou: “pisava aos pés o que sobejava” ou ainda “pisava aos pés o que sobrava”. Que coisa mais estranha pra se dizer e ao mesmo tempo tão diferente!

Quando o Império Romano do Oriente, também chamado de Império Bizantino, foi conquistado pelos muçulmanos no ano de 1.453, a maior catedral do mundo cristão era a Catedral de Santa Sofia (Hagia Sophia), localizada na cidade de Constantinopla, hoje chamada Istambul. Atualmente o lugar é uma mesquita e um museu, todos os símbolos cristãos e ícones foram cobertos. Em seus lugares foram colocadas placas em árabe enaltecendo Alá e Maomé. Apesar de ser um museu, os muçulmanos têm permissão de orar dentro da catedral, enquanto que cristãos estão proibidos de fazê-lo. Do lado de fora, no topo da estrutura em lugar da cruz há o símbolo do crescente islâmico.

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Exterior e interior da Catedral de Santa Sofia em Istanbul, Turquia

Em 2001, ainda na época do governo do Talibã no Afeganistão, os muçulmanos destruíram antigas estátuas de Buda, por serem ídolos pela idolatria ser condenada no Islã (ironicamente, a Caaba em Meca não é considerada idolatria por eles). Hoje a ONU e a comunidade internacional estão preocupados com as destruições de sítios arqueológicos, monumentos e estátuas nas regiões sob controle do Estado Islâmico.

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Destruição de acervo de museu no Iraque / destruição de estátua de Buda no Afeganistão

Em Jerusalém os muçulmanos negam qualquer ligação histórica dos judeus ao Monte do Templo. Sheikh Ekrima Sa’id Sabri, Grande Mufti de Jerusalém de 1994 a 2006, declarou em muitas ocasiões que a conexão dos judeus com o Templo era um mito. Em 1998 Sabri declarou: “Muçulmanos não têm conhecimento de que o Monte do Templo tenha qualquer caráter sagrado para os judeus”. Da mesma forma, o Chefe de Justiça da Corte Religiosa da Palestina (corte islâmica com base na sharia) e presidente do Conselho Islâmico-Cristão para Jerusalém e Lugares Sagrados, Sheikh Taissir Dayut Tamimi, disse em 2009: “Judeus não tem qualquer ligação com Jerusalém… Eu não sei de nenhum lugar sagrado judeu nela… Israel tem escavado desde 1967 procurando por resquícios de seu Templo ou de sua fictícia história judaica”. Há muitas notícias e informes com muita base documental sobre a destruição sistemática de milhares de artefatos judeus encontrados nas imediações do Monte do Templo por parte da organização Muçulmana Waqf, responsável pelo controle e manutenção das edificações religiosas muçulmanas em Jerusalém. Tal vandalismo levou à formação de grupos como “Comitê para a Prevenção da Destruição das Antiguidades no Monte do Templo” e “Operação de Resgate de Antiguidades do Monte do Templo” que se dedicam a examinar cuidadosamente centenas de caminhões de terra removida do Monte do Templo pela Waqf durante a construção de uma mesquita subterrânea no final dos anos 1990. O arqueólogo Graviel Barkai, ao comentar sobre a enorme quantidade de materiais arqueológicos preciosos destruídos pela Waqf, disse: “Eles deveriam estar usando escovas, não retroescavadeiras… Estes são atos criminosos que não têm lugar em um país civilizado!”.

Exemplos ao longo da história do Islã e até mesmo nos dias de hoje não faltam. Vez após vez esse sistema destrói até mesmo o que restou dos impérios e civilizações que vieram antes dele, não podendo admitir nem mesmo a memória de qualquer governo ou religião que veio a existir antes do Islã. Como vemos o Califado preenche essas características únicas do quarto império de Daniel 2 e Daniel 7.

Veja algumas matérias de sites de notícias sobre isso:

Estado Islâmico destrói templo romano do Século I na Síria
Extremistas do Estado Islâmico voltam a destruir relíquias no Iraque
Estado Islâmico destrói estátuas milenares em museu do Iraque
Estado Islâmico ameaça tesouros arqueológicos na Líbia
Estado Islâmico demonstra desprezo pela cultura e pela história
Estado Islâmico exibe a destruição de obras da antiguidade no Iraque
Fontes: Veja e G1

Um império dividido

Em Daniel 2 é relatado o sonho que o rei Nabucodonosor teve de uma estátua feita com cinco metais preciosos, com cada parte representando um império que viria a seguir, sendo que as duas últimas partes eram na verdade o quarto império em dois momentos históricos diferentes. No primeiro momento há unidade, no segundo momento histórico esse império ressurge com uma divisão interna.

Em Daniel 2:33 vemos essa característica: “As pernas de ferro; os seus pés em parte de ferro e em parte de barro”

Veja também Daniel 2:41-43: “E, quanto ao que viste dos pés e dos dedos, em parte de barro de oleiro, e em parte de ferro, isso será um reino dividido; contudo haverá nele alguma coisa da firmeza do ferro, pois viste o ferro misturado com barro de lodo. E como os dedos dos pés eram em parte de ferro e em parte de barro, assim por uma parte o reino será forte, e por outra será frágil. Quanto ao que viste do ferro misturado com barro de lodo, misturar-se-ão com semente humana, mas não se ligarão um ao outro, assim como o ferro não se mistura com o barro”.

Fonte: EBC
Fonte: EBC

Os seguidores do Islã dividem-se entre xiitas e sunitas. Essa divisão é histórica e remonta à uma disputa na época da morte de Maomé. O nome sunitas vem da expressão “Ahl al-Sunna”: “o povo da tradição”. Eles defendem a tradição, ou seja, as práticas derivadas das ações do profeta Maomé e seus parentes. Já os xiitas reivindicam o direito do genro de Maomé, Ali e o de seus descendentes de liderar os muçulmanos. Essa rixa continua até os dias de hoje. Cerca de 86% a 90% dos muçulmanos são sunitas.

Mas essa não é a única divisão do Islã. Há também a divisão por várias etnias tais como curdos, turcos, árabes, indianos e muitos outros. Ao longo da História, muitos conflitos já ocorreram entre os seguidores de diferentes etnias e correntes do Islã. Não é incomum ver até mesmo dentro da mesma etnia a aplicação do velho ditado árabe: “Eu, contra meu irmão; meus irmãos e eu, contra os primos; os meus primos e eu, contra os estrangeiros“.

Eliseu P L Junior

O império do Anticristo: sua extensão, influência e poder

Link para a parte 1: Começando do Princípio

Com base no que vimos até agora, cabe uma questão: o Império do Anticristo será limitado a uma região geográfica ou vai englobar o mundo todo? Há textos que levam muitos a interpretarem que vai englobar o mundo tudo, porém há textos que tornam essa interpretação uma impossibilidade.

Evidência número 1 a ser considerada: seu império é uma confederação de dez nações. Daniel 7:7 é a primeira passagem que nos mostra essa informação: “Depois disto eu continuei olhando nas visões da noite, e eis aqui o quarto animal, terrível e espantoso, e muito forte, o qual tinha dentes grandes de ferro; ele devorava e fazia em pedaços, e pisava aos pés o que sobejava; era diferente de todos os animais que apareceram antes dele, e tinha dez chifres”.

O capítulo 7 de Daniel trata do sonho de Daniel, Deus mostrou para ele 4 animais terríveis que simbolizam impérios. Os 3 primeiros conforme a ordem em que aparecem no sonho são o império Babilônico, o Medo-Persa e o Grego. O quarto animal é o sucessor desses 3 e é mostrado como uma força destruidora fora do comum, diferente dos anteriores. Se o texto parasse por aí de forma alguma poderíamos entender que os 10 chifres são 10 reis (cada rei com seu respectivo reino), mas um anjo dá essa informação para Daniel e por isso hoje nós também sabemos isso. Veja Daniel 7:24-25: “E, quanto aos dez chifres, daquele mesmo reino se levantarão dez reis; e depois deles se levantará outro, o qual será diferente dos primeiros, e abaterá a três reis. E proferirá palavras contra o Altíssimo, e destruirá os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar os tempos e a lei; e eles serão entregues na sua mão, por um tempo, e tempos, e a metade de um tempo”.

O livro de Apocalipse também traz a mesma informação do sonho de Daniel. Notem que a mesma descrição de uma besta terrível e com dez chifres aparece em Apocalipse 13 e Apocalipse 17:

Apocalipse 13:1: “E eu pus-me sobre a areia do mar, e vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças um nome de blasfêmia”.

Apocalipse 17:3 “E levou-me em espírito a um deserto, e vi uma mulher assentada sobre uma besta de cor de escarlata, que estava cheia de nomes de blasfêmia, e tinha sete cabeças e dez chifres”.

Apocalipse 17:12: “E os dez chifres que viste são dez reis, que ainda não receberam o reino, mas receberão poder como reis por uma hora, juntamente com a besta”.

A Bíblia reforça o número 10 como o número de nações que farão parte da coalizão de nações do Anticristo. Mas isso não quer necessariamente dizer que apenas 10 nações farão parte, pois ocorrerão conquistas militares e seu império se expandirá, mas inicialmente são apenas 10 nações.

Evidência número 2: conquistas militares de países da região do Oriente Médio. Duas vezes podemos ler em Daniel 11 que as forças do Anticristo “invadirão muitos países”. O Egito é citado como uma das nações que serão invadidas. Mas também Israel sofrerá uma invasão (Daniel 11:16). Essa passagem sugere também que não serão todas as nações que irão ser conquistadas pelo Anticristo. Veja Edom, Moabe e os líderes de Amon escapando desse destino em Daniel 11:40-42:

“E, no fim do tempo, o rei do sul lutará com ele, e o rei do norte se levantará contra ele com carros, e com cavaleiros, e com muitos navios; e entrará nas suas terras e as inundará, e passará. E entrará na terra gloriosa, e muitos países cairão, mas da sua mão escaparão estes: Edom e Moabe, e os chefes dos filhos de Amom. E estenderá a sua mão contra os países, e a terra do Egito não escapará”.

Notem que a passagem diz que “muitos países cairão”, mas não que todos os países cairão. E 3 nações são citadas escapando de suas conquistas militares: Edom, Moabe e Amon, o que pode indicar o livramento da Jordânia. Outra possibilidade é que eles se juntem voluntariamente e por isso não sofrem uma invasão.

Em Daniel 11:44-45 lemos: “Mas os rumores do oriente e do norte o espantarão; e sairá com grande furor, para destruir e extirpar a muitos. E armará as tendas do seu palácio entre o mar grande e o monte santo e glorioso; mas chegará ao seu fim, e não haverá quem o socorra”.

Essa passagem indica que notícias do Oriente e do Norte deixarão o Anticristo preocupado. Uma possível interpretação dado o contexto da passagem anterior é que uma resposta militar às suas conquistas está em curso e ele tem de interromper seus planos. Apocalipse 16:12 cita reis do Oriente e seu grande exército marchando. Apocalipse 9:13-16 fala de um exército de 200 milhões.

Podemos concluir que haverá nações que não farão parte da aliança do Anticristo e nem estarão sob sua autoridade. Até o seu amargo fim o Anticristo é retratado em guerra contra muitas nações.

Eliseu P L Junior